Carnaval nas Cidades Históricas: quando tradição, folia e comida mineira se encontram

O Carnaval 2026 nas Cidades Históricas de Minas Gerais reafirma que a folia no estado vai muito além dos blocos.

Em 47 municípios, o período se consolida como uma experiência que une patrimônio, música e, sobretudo, gastronomia como elemento central da vivência turística. O Carnaval da Liberdade e da Tranquilidade nas Cidades Históricas projeta Minas como um dos destinos mais completos do país para quem busca celebrar, mas também comer bem, conhecer ingredientes locais e viver a cultura pelo paladar.

A iniciativa é do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, em parceria com a Cemig e a Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais.

Secretária de Cultura de Turismo, Bárbara Botega, em evento de lançamento do Carnaval nas cidades históricas | Foto: César Trópia/Governo de Minas/Divulgação

Folia que se estende à mesa

Nas cidades históricas, o Carnaval movimenta cozinhas, fogões e quintais. Restaurantes, bares, quitandas, produtores artesanais e mercados locais se preparam para receber visitantes com cardápios que valorizam receitas tradicionais, ingredientes regionais e modos de fazer passados de geração em geração.

Em destinos como Ouro Preto, Diamantina, Congonhas e São João del-Rei, a experiência do Carnaval se constrói entre um bloco e outro, mas também no almoço prolongado, na comida feita em panela de ferro, no doce servido no balcão e no queijo comprado direto do produtor.

Gastronomia como vetor da economia criativa

O impacto econômico do Carnaval nas Cidades Históricas passa diretamente pela alimentação. Ouro Preto estima receber cerca de 60 mil foliões, com movimentação de aproximadamente R$ 20 milhões. São João del-Rei projeta impacto de R$ 50 milhões. Em Diamantina, a expectativa é de 40 mil foliões por dia, aquecendo não só a rede hoteleira, mas bares, restaurantes, cozinhas comunitárias e pequenos produtores.

Em 2025, Diamantina recebeu mais de 350 mil foliões e movimentou cerca de R$ 30 milhões — números que reforçam a importância do Carnaval tradicional para o turismo gastronômico e cultural.

Foto: César Trópia/Governo de Minas/Divulgação

Carnaval da Tranquilidade: comer com tempo

Além da folia intensa, o Carnaval 2026 reforça o chamado Carnaval da Tranquilidade, que atrai turistas interessados em experiências mais contemplativas. Distritos como Lavras Novas e São Bartolomeu, em Ouro Preto, e cidades como Tiradentes e São João del-Rei apostam em programações culturais combinadas a experiências gastronômicas ligadas à natureza, ao território e à memória afetiva.

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Cafés coloniais, restaurantes familiares, cozinhas autorais e feiras de produtos artesanais ganham protagonismo, oferecendo ao visitante a possibilidade de desacelerar e viver o Carnaval no ritmo da conversa, da boa mesa e da comida compartilhada.

Tradição que atravessa séculos

Símbolos históricos da folia também dialogam com a cultura alimentar local. O Bloco Zé Pereira da Chácara, de Mariana, que completa 180 anos em 2026, é exemplo de como o Carnaval mineiro preserva rituais que atravessam gerações – muitos deles acompanhados de receitas, encontros familiares e celebrações à mesa.

Em Mariana, a festa acontece de 12 a 17 de fevereiro, com desfiles, escolas de samba e shows no centro histórico. Em Ouro Preto, no mesmo período, mais de 50 blocos ocupam as ruas, enquanto distritos oferecem alternativas mais tranquilas, combinando música, paisagem e gastronomia.

São João del-Rei e Tiradentes mantêm o perfil que consagrou o Campo das Vertentes como destino de Carnaval cultural, com marchinhas, ocupação dos centros históricos e forte presença da cozinha mineira como parte da experiência turística.

Foto: César Trópia/Governo de Minas/Divulgação

Interior diverso, sabores múltiplos

Em Itabira, o Carnaval descentralizado valoriza bairros e distritos turísticos, estimulando a circulação de público e o consumo local. No Sul de Minas, Aiuruoca realiza a 86ª edição do Aiurufolia, tradição iniciada em 1938, que movimenta restaurantes, cafés e produtores da Serra da Mantiqueira. Bom Jardim de Minas aposta em blocos diurnos e marchinhas, fortalecendo o comércio local e a gastronomia regional.

Também integram a programação cidades como Sabará, Caeté, Lagoa Santa e Bom Jesus do Amparo, com carnavais familiares e comunitários, onde a comida típica, as feiras e os encontros em torno da mesa reforçam o caráter afetivo da festa.

Minas além da folia

Em 2026, o Carnaval nas Cidades Históricas reafirma Minas Gerais como um destino onde comer bem é parte essencial da viagem. A integração entre patrimônio, cultura e gastronomia transforma a festa em uma experiência completa – capaz de gerar renda, preservar tradições e conquistar turistas pelo sabor.