A cadeia de montanhas mais extensa do Brasil se afirma como território de biodiversidade, cultura e gastronomia pulsante
Uma crista monumental que se ergue e rasga ao meio o peito de Minas Gerais: a Cordilheira do Espinhaço. Em seu entorno, riqueza e diversidade natural, cultural e gastronômica ainda em fase de contínua descoberta. Novas espécies de animais e plantas são reconhecidas a todo momento, enquanto pequenas iniciativas que alicerçam a identidade cultural e alimentar dos moradores vão se fortalecendo e ganhando maior visibilidade.
Assim funciona a Cordilheira do Espinhaço, cadeia de montanhas que se estende por 1.200 km, abraça 172 municípios e se esparrama de Minas até a Bahia. Entre Ouro Branco e Chapada Diamantina, é tanta potência turística envolvida que o Governo de Minas tem investido esforços para atrair mais turistas à região, assim como apresentar os atrativos de uma forma mais estruturada.

Um território de descobertas e conexões
Alinhavar um acervo tão robusto e embrulhar como projeto turístico não é trabalho fácil, mas está longe de ser enfadonho. Nada mal ter à disposição um repertório que reúne cerca de 400 cachoeiras, 26 parques e unidades de conservação, que se espraiam pelos biomas mata atlântica, cerrado e caatinga.
Ocupa 1% do território brasileiro, mas concentra 15% da biodiversidade nacional, com 23% de espécies endêmicas – ou seja, só são encontradas no Espinhaço. Não por acaso, neste ano se completam duas décadas do reconhecimento da região como Reserva da Biosfera da Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (Unesco).
A tecnologia é um parceiro importante, e por isso a inteligência artificial está sendo acionada para ajudar nesse arsenal de informações, explica Bárbara Botega, atual secretária de cultura e turismo de Minas. “É a única cordilheira do Brasil, a espinha dorsal do país. Temos feito um trabalho de comunicação, capacitação do trade, com projeto que envolve o uso de IA para facilitar a comercialização desse destino através da experiência 3D”, adianta.

Saberes de montanha e o sabor das origens
Ex-secretário da mesma pasta, Leônidas Oliveira destaca a relevância também gastronômica da região, ao afirmar que o Espinhaço é o berço da nossa cozinha de montanha. “Geraizeiros, indígenas e quilombolas ensinaram a colher e transformar, a curar e preservar; os tropeiros do século XVIII espalharam caminhos, e a cozinha se tornou mapa de afeto e logística, sustentando mineração, devoções e festas”, contextualiza.
O turista que se aventura pela Cordilheira vai tropeçar em uma carga de atrativos culturais raramente vista, como as demonstrações do barroco mineiro, além de centenas de sítios arqueológicos e arte rupestre, rios formadores de grandes bacias – ali nascem o Doce e o Jequitinhonha – e uma infinidade de cachoeiras.
O percurso é enriquecido com a presença de cinco Patrimônios Culturais da Humanidade: Ouro Preto, Diamantina, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha e Congonhas (Santuário do Bom Jesus de Matosinhos) e o Queijo Minas Artesanal, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2024.
Tanta história se desdobra atualmente na vastidão gastronômica encontrada nos territórios por onde o Espinhaço atravessa, desde a paçoca de carne do Zé Maria, em Turmalina, passando pelo vinagrete de feijão andu do restaurante Filomena, na Serra do Cipó, até o arroz com pequi e suco de coquinho azedo do Cerrado Mineiro.
“Outra coisa importante são os vinhos na região. Temos várias vinícolas premiadas em Diamantina”, defende Ítalo Mendes, secretário de turismo do município de Grão Mogol. A intensa fabricação artesanal de queijos, vinhos, quitandas, doces e cachaças completa esse cardápio farto e exclusivo disponível entre o mar de montanhas mineiras.
