Queijo de leite cru de vaca e massa filada, que é esticada e modelada manualmente na forma de uma cabaça. É maturado pendurado como seu ‘irmão’ italiano, o caciocavallo, mas é consumido mais jovem, com consistência bem filamentosa e úmida. Uma tradição familiar surgida no Baixo e Médio Jequitinhonha em meados do século 20.
Eduardo Girão
Entre as tradições alimentares mais originais de Minas Gerais está o Queijo Artesanal Cabacinha do Vale do Jequitinhonha.

O queijo chama atenção pelo formato característico inspirado em uma pequena cabaça e pela textura filamentosa desenvolvida a partir da técnica de massa filada. Além disso, o produto faz parte da cultura alimentar do Baixo e Médio Jequitinhonha e mantém viva uma tradição familiar construída ao longo do século 20.
Mais do que um alimento típico, o Cabacinha representa a relação entre território, memória afetiva e produção artesanal. Em muitas cidades da região, famílias produtoras preservam técnicas tradicionais e mantêm viva uma herança gastronômica transmitida entre gerações.
Uma técnica artesanal única
Os produtores utilizam leite cru de vaca e conduzem um processo que exige habilidade manual e atenção ao ponto correto da massa. Depois do aquecimento, eles esticam e moldam o queijo artesanalmente até alcançar o formato típico que tornou o Cabacinha reconhecido em Minas Gerais.
Em seguida, os produtores penduram as peças para uma curta maturação. Por causa desse processo, o queijo adquire aparência característica e textura bastante filamentosa.
Ao contrário de variedades mais curadas, o Cabacinha costuma chegar à mesa ainda jovem. Dessa forma, mantém interior úmido, sabor suave e uma experiência sensorial bastante particular dentro do universo dos queijos artesanais brasileiros.
Cultura alimentar e tradição regional
O Vale do Jequitinhonha reúne uma das culturas mais ricas de Minas Gerais. A região preserva tradições ligadas ao artesanato, à música, à culinária e aos modos de vida rurais. Nesse contexto, o Cabacinha ocupa papel importante dentro da identidade gastronômica local.
Nos últimos anos, chefs, pesquisadores e consumidores passaram a olhar com mais atenção para a diversidade dos queijos mineiros além do tradicional Queijo Minas Artesanal. Como resultado, o Cabacinha ganhou espaço em festivais gastronômicos, degustações e experiências ligadas ao turismo cultural em Minas Gerais.
Além disso, o interesse crescente pelos produtos artesanais fortalece pequenos produtores e ajuda a ampliar o reconhecimento do Vale do Jequitinhonha como território gastronômico relevante no estado.