Tradicionais de BH: os sabores que resistem ao tempo

Do balcão ao fogão, a história da cidade também se conta à mesa

Há cidades que se reconhecem pelos monumentos; Belo Horizonte, pelos bares. Cada esquina parece guardar um sabor que virou lembrança — e, com o tempo, patrimônio. São casas que atravessaram décadas servindo receitas de família, pratos que viraram gírias e doces que marcaram gerações. 

Botecos que viraram lenda

Desde 1964, o caldo de mocotó com dois ovos de codorna é pedido obrigatório no Nonô (@nonooreidomocoto). O endereço funciona 24h em dias úteis e prova que o mineiro tem um carinho especial por comida que conforta.

Já o Tip Top (@tiptopdesde1929), fundado em 1929 por imigrantes europeus, é considerado o bar e restaurante mais antigo de BH. Deixou a Floresta, depois o Lourdes, mas levou a alma para a Savassi com clássicos como o rosbife, o mexido e o salsichão.

Símbolo da boemia belo-horizontina, o Bolão, em Santa Tereza, fechou as portas no fim de outubro de 2025, mas promete retomar atividades. Criado a partir do Bar Rocha & Filhos, ganhou o apelido em homenagem a José Maria, o “Bolão”, e ficou famoso pelo macarrão e pelo Rochedão.

Já o Chopp da Fábrica (@choppdafabricabh), nascido no início dos anos 90, se espalhou por vários endereços da cidade, sempre fiel ao trio sagrado: torresmo de barriga, feijão tropeiro e chopp bem tirado. Sem falar no mexido e no Laricão!

Foto: Divulgação | Victor Schwaner | Leo Lara

Fogão de memória

Alguns lugares guardam o sabor da infância mineira em cada panela. No coração do Centro, o Café Palhares (@cafepalhares) é o mais emblemático deles. Fundado em 1938, o balcão deu origem ao lendário KAOL — sigla de cachaça, arroz, ovo e linguiça, que mais tarde ganhou molho, couve, farofa e torresmo. O prato virou símbolo da cidade.

Na Pampulha, o Xapuri (@xapurirestaurante) é o retrato de uma fazenda urbana. Criado em 1987 por Nelsa Trombino, é bastante premiado e reconhecido pela autenticidade. O frango com quiabo, a costelinha e a goiabada cascão dividem espaço com o doce de leite batido na hora e o charme do quintal arborizado.

No bairro São Francisco, em 1950, o Maria das Tranças (@mariadastrancasrestaurante) começou em uma casa simples na R. São Benedito e, desde 1962, ocupa um endereço amplo na R. Estoril. O frango ao molho pardo é o protagonista de um cardápio feito no fogão a lenha.

Foto: Leo Lara | Divulgação

Doces que contam histórias

Na vitrine das tradições belo-horizontinas, também brilham endereços que adoçam. Na Savassi, destacamos três estabelecimentos: a centenária Lalka (@lalka_oficial), de 1925, que preserva o charme europeu dos marzipãs e tortas tradicionais; a Sorveteria São Domingos (@sorveteriasaodomingos), que mantém, desde a década de 1930, a receita de sorvetes “de fruta” e cremosos à moda antiga.

Também na Savassi, o Xodó (@xododebh), que carrega a nostalgia dos anos 60, com deliciosos milk-shakes, além dos sanduíches, claro. 

Já a Sorveteria Universal (@sorveteriauniversal), é do final dos anos 1920, sendo o mais antigo estabelecimento de sorvetes da capital mineira. Esse patrimônio do paladar doce da cidade está instalado no bairro Floresta desde 1932. Hoje é administrada pela quarta e quinta gerações da mesma família.

Fechando a volta doce, pelo Vila da Serra, a Doce D’ocê (@docedocebh), de 1972. Por lá, além dos docinhos com gostinho de festa de criança, você vai encontrar a torta de morango com chantilly, que pode provar depois de se deliciar com a coxinha com Catupiry®, que ganhou fama nos jornais da época.

Em Belo Horizonte, do caldo noturno ao doce da tarde, tradição não é passado: é o ingrediente que continua temperando o presente.

Foto: Victor Schwaner | Divulgação | Divulgação